NOVO ESTUDO CONFIRMA: A “PAUSA” DO AQUECIMENTO É REAL E REVELADORA.

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NOVO ESTUDO CONFIRMA: A “PAUSA” DO AQUECIMENTO É REAL E REVELADORA

Anthony Watts / 4 de maio de 2017

Dr. David Whitehouse, Editor de Ciências da GWPF

Um novo artigo foi publicado na seção de Análise da Nature, chamado Reconciliando as Controvérsias sobre o “hiato do aquecimento global”, e confirma que o “hiato” ou “pausa” é real. É também bastante revelador.

Ele tenta explicar a “pausa”, analisando o que é conhecido sobre a variabilidade climática. Dizem que quatro anos após o lançamento do relatório do IPCC AR5 [quinto relatório completo do IPCC], que continha muito sobre o “hiato”, chegou a hora de ver o que pode ser aprendido.

Poderia ser um pouco sarcástico em dizer por que a Nature dedicaria sete de suas desejáveis páginas ​​a um evento que alguns dizem veementemente nunca ter existido e manter a sua existência tem sido refutada há muito tempo. Agora, no entanto, com o pico de El Niño dos últimos anos em níveis elevados, a análise da “pausa” parece estar voltando à moda. Os autores deste recente artigo pisam delicadamente sobre uma linha entre os dois campos opostos dizendo, por um lado, que ambos os lados têm um ponto e os seus métodos especiais de análise são compreensíveis. Mas, por outro lado, deixam claro que há um evento real que precisa ser estudado.

Como alguém que tem prestado muita atenção à “pausa” por quase uma década, talvez eu esteja mais atento do que a maioria quando se trata de uma recapitulação da história da idéia e das observações.

Os autores dizem que a “pausa” começou com reivindicações de fora da comunidade científica. Bem, sim e não. Foi tentativamente sugerido em 2006 e 2007 por céticos do clima, muitos dos quais eram cientistas experientes e bastante capazes de lerem um gráfico e calcular estatísticas. Uma década depois de ter sido levantada, toda vez que a “pausa” é debatida, torna-se um tributo àqueles que primeiramente a observaram e enfrentaram duras críticas. Foram os céticos que notaram a “pausa”, e ao fazê-lo deram uma contribuição valiosa para a Ciência. Durante anos, a questão só foi analisada e discutida na blogosfera, antes que os periódicos [científicos ou não] tomassem conhecimento.

Não há nada de novo em seu recente artigo ou que não tenha sido discutido pelo GWPF. Talvez isso dê uma pausa para a reflexão para alguns que vêem linhas de batalha desenhadas entre partidários da “pausa” (céticos [incluindo os cientistas também]) e deturpadores da “pausa“ (cientistas [será? E é claro, os ongueiros]).

O que os autores percebem, com suas três definições da “pausa”, é um fato simples que muitas vezes temos apontado. Olhe para HadCRUT4 a partir de 2001 (após o evento El Niño / La Niña 1999-2000) até 2014 (antes do início do recente evento El Niño) e você verá que a temperatura é plana [linha de dados anuais]. Além do recente El Niño, não houve aumento global desde 2001, embora tenha havido El Niños e La Niñas nesse período. Isso é o que eu chamo de “pausa”.

Vou deixar isso para que o leitor calcule a tendência e o erro da tendência para o mesmo período, usando outros conjuntos de dados de temperatura da superfície global. A duração da pausa é de cerca de metade do período de avaliação climática nominal básica de 30 anos [definidas como normais climatológicas, que duram 30 anos. Lembrando que essa definição foi criada pelos humanos para poderem ter referências ao mundo em que vivemos e nada tem a ver com o mundo natural, que faz o que bem entender], por isso, se ela retornar nos próximos anos pode tornar-se o evento climático dominante dos últimos tempos. A “pausa” acabou não por causa de uma [retomada] de aquecimento global gradual [hipotético causado por falacioso “efeito estufa”], mas por causa de um evento climático natural [El Niño colossal], cuja taxa de incremento temporário para o “aquecimento global” era muito grande para ser antropogênica. Isso não impediu alguns de alegar que tínhamos entrado em um período de aquecimento global catastrófico.

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Fig 1

Observe a Fig. 1 mostrando as tendências nos conjuntos de dados de temperatura global. Ele mostra que, desde 2000, a tendência em todos os conjuntos de dados tem exibido diminuição. Isso só foi interrompido pelo recente El Niño. Note-se que todas as variações no gráfico são consideradas dentro dos limites da variabilidade natural de acordo com os autores, indicando que nada de incomum aconteceu ao longo da duração do gráfico.

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Fig 2a

Considere também as figuras 2b e 2c. Ele mostra [séries de dados do] HadCRUT3 de 1980-2008 e destaca o período de “pausa” recente. Em seguida, apresenta cinco conjuntos de dados de temperatura global de 1980 a 2015, mostrando que a “pausa” desapareceu. Não importa por que razão pela qual a “pausa” parou, ela não é climática, mas devido ao [efeito de] curto prazo do El Niño.

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Fig 2b e 2c

Olhe também a Fig. 3, que é apresentada para conciliar as observações e as [saídas de] modelos de computador, mostrando que não há discrepância. Novamente é o recente El Niño que tornou juntas [as saídas dos] modelos e dados [observados]. Sem a introdução deste evento meteorológico de curta duração, os modelos climáticos, obviamente, estariam superestimando as temperaturas. [nota: observem os valores de temperatura irrisórios de que se tratam todas essas discussões].

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Fig 3

Tudo isso anula o objetivo do artigo de explicar a “pausa” em termos do que se sabe sobre a variabilidade climática.

Há também um comentário sobre o artigo publicado na seção de notícias e opiniões da Nature por Risbey e Lewandowsky que é absurdo. [o autor do artigo não é o ministro do STF do Brasil]. Eles estão errados em suas opiniões sobre o HadCRUT4 e seus períodos “planos”, veja acima. Eles indicam que os conjuntos de dados continuam a mostrar tendências significativas de aquecimento, quando o comprimento da tendência é superior a 16 anos. Este é um ponto óbvio quando se olha para o aumento da temperatura global visto nos anos anteriores ao evento El Niño de 1998 [dos anos 70 frios para o final do século XX, mais quentes, como já era esperado que acontecesse naturalmente]. Eles devem também olhar para a Fig. 1 novamente e ter em mente o que eu digo sobre El Niños.

A pausa foi extremamente valiosa e esclarecedora para a ciência climática. Uma década atrás, foi considerado que o sinal antrópico do aquecimento global era forte. Somente quando as temperaturas de superfície não aumentaram os 0,3°C por década, como a maioria de modelos do clima tinham predito, que as qualificações [sobre quão ruins são esses modelos] foram feitas. A variabilidade decadal natural foi usada para explicar a falta de aumento de temperatura e resultou em uma mudança gradual de visão.

Agora, alegou-se que o sinal antropogênico estava sendo obscurecido [leia-se revelado, dada a sua total insignificância] pela variabilidade climática decadal e que o seria por várias décadas antes que ele emergisse e excedesse, como Meehl et al disse em Nature Climate Change, “Tendências forçadas externamente à longo prazo em temperaturas superficiais médias globais estão embutidas no ruído de fundo da variabilidade multidecadal gerada internamente”. [nota: em outras palavras, o falso AGA terminou e ele volta daqui a alguns anos, como os cientistas céticos já sabem. Assim, para conseguirem manter a hipótese fraudulenta de que o CO2 controla o clima, apelam para as próprias forçantes climáticas naturais que eles tanto dizem que não tem efeito, pois o Homem, através do seu CO2 controla tudo. Abismal a contradição permanente da turma aquecimentista].

Se a “pausa” irá retornar após o recente El Niño e suas consequências estabelecidas, ainda estarão aí para serem vistas. Desde os seus primórdios céticos, a “pausa” tornou-se a maior controvérsia e ponto de debate na ciência climática. Apesar das tentativas em curso de negá-la, ou de encontrar novas razões para a sua existência, ninguém sabe realmente o que a causou ou se ela será restabelecida.

Tradução e notas de:

Prof Dr. Ricardo Augusto Felicio

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