O pó de fadas da Amazônia? Como assim?

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Meus caros, é difícil ter que aguentar tanta falta de conhecimento vinda de um PhD em Bioquímica em Ciência da Terra, Universidade de New Hampshire.

Veja a notícia abaixo:

O pó de fadas da Amazônia

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Antonio Nobre, revela os cinco segredos da floresta amazônica e alerta sobre o perigo de seu desmatamento

https://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/14/sociedad/1408010925_555437.html?id_externo_rsoc=FB_CC

Ele expressa os números em bilhões de toneladas para impressionar. Mas, continuar a usar os mesmos números que medimos há mais de 30 anos; evapotranspiração = 3,6 mm/dia (litro/m²/dia) e o equivalente a 3 mm/dia que é a vazão do rio. Ele não menciona que a fonte de umidade é o Oceano Atlântico equatorial e que apenas 20% do fluxo de umidade que vem do oceano é convertido em chuva e o restante vem alimentar as frentes frias no Sul/Sudeste/Centro Oeste. A condição de equilíbrio climático da Amazônia é “o que entra pela atmosfera tem que sair pelo rio”. Se entrar mais do que sai, vira um lago; se entrar menos, vira deserto. É certo que a floresta também produz aerossóis (“pó das fadas”, lindo, parece historinha pra crianças) mas também existem núcleos de sal marinho.

Em 1985, experimento com a NASA ABLE 2A, encontramos núcleos de sal nas coletas de água da chuva em Tabatinga, fronteira com o Peru. Ele não sabe que o tempo de residência (permanência) dos núcleos de sal na atmosfera é da ordem de 10 dias. Com ventos de 10 m/s (36 km/h) em 5 dias os núcleos são transportados a mais de 4.000 km de distância. Ele também não sabe que na Amazônia existem tornados, como o que ocorreu em Icoaraci (PA) há 3 anos e trombas d’água, como a que eu registrei em Fonte Boa (AM), no rio Solimões.

A ignorância é grande no que se refere a tempestades com correntes descendentes, com velocidades superiores a 100 km/h. Em 1993, Bruce Nelson, americano que estava no INPA, publicou um trabalho feito com imagens de Landsat onde mostrou que existiam áreas da floresta, algumas superiores a 1.000 hectares, destruídas por ventos fortes, floresta literalmente “amassada” como se tivesse sido pisada por um gigante. Isso porque o sistema radicular das árvores da floresta tropical chuvosa é superficial, mais de 90% estão nos primeiro 50 cm, não tem muitas raízes que se aprofundam, e as grandes árvores (60 a 70 m de altura) ficam praticamente “de pé” como uma garça sobre o pé. Quando ocorre uma rajada de vento forte, derruba essas árvores e elas derrubam as vizinhas pelo efeito dominó.

queda árvores na amazônia

Fonte: https://www.livescience.com/8395-amazon-storm-killed-billion-trees.html

Essa é uma forma de renovação da floresta e que sequestra carbono do ar. A estratégia e sobrevivência da floresta está exatamente na rápida reciclagem de nutrientes, por isso o sistema radicular é praticamente todo superficial, para reciclar os nutrientes assim que são liberados pelos microrganismos.

Abraço a todos.

Prof Luiz Molion

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