Catástrofe gera notícias e fake news!

Caros leitores,
O ser humano tem a mania da estatística, mas é plausível, pois foi através dela que tentamos prever algo que possa nos beneficiar ou prejudicar.
A estatística vem sendo utilizada desde os primórdios da humanidade, pois o homem desenvolveu a capacidade de visualizar padrões e passou a notar que alguns eventos podem ser cíclicos.
Mas, a natureza não segue a estatística que a humanidade chama de padrão, pois um evento que pode ocorrer hoje e nunca foi observado, é tratado como uma anomalia e um possível sinal de catástrofe, sinal divino etc, quando na verdade pode ser nada mais e nada menos que um evento não registrado que deve ser entendido e estudado.
Abaixo, segue o texto do Prof. Igor Maquieira, sobre o alarde feito pela Meteorologista Laura Ferreira, sobre as chuvas de hoje (21/06/2017) no Rio de Janeiro.
Hoje (21/06/2017) a Laura Ferreira anunciou que o total pluviométrico na cidade do Rio de Janeiro foi de 250mm, algo bem anormal para o mês de junho e para o inverno. 
 
Novamente a história se repete. Ela e tantos outros colocam parâmetros e que o clima tem que ser certinho, ou seja, seguindo um padrão. É lamentável e ao mesmo tempo irritante escutar tal declaração. 
 
Um rápido levantamento histórico nos mostram vários eventos na cidade do Rio de Janeiro. 
 
A cronologia das enchentes no Rio de Janeiro tem seu primeiro registro no século dezoito. Em setembro de 1711 grandes inundações assolaram a cidade fundada 50 anos antes pelos portugueses em um sítio entre a Baía de Guanabara e um verdadeiro mar de morros. E, em abril de 1756, um grande temporal provocou inundações em toda a cidade – canoas foram vistas navegando pelo centro – e desabamentos de casas fizeram inúmeras vítimas fatais.
Já no século XIX, em 1811, novas inundações castigaram o Rio de Janeiro entre os dias 10 e 17 de fevereiro. Catástrofe que ficou conhecida como “águas do monte”, por conta da enxurrada violenta que descia dos diversos morros da cidade. O Morro do Castelo (importante sítio urbano no centro) desmoronou, arrastando muitas casas, com muitas vítimas. A tragédia foi tão grande que as igrejas, sob ordens de D. João VI, príncipe regente, acolheram os desabrigados. Pela primeira vez foram feitos estudos sobre as causas da catástrofe.
Grandes inundações também ocorreram em março de 1906, no século XX, tendo sido registradas como das maiores até então. O Canal do Mangue (próximo de onde é hoje a Praça da Bandeira) transbordou provocando alagamentos em quase toda a cidade. Em alguns morros, entre eles o de Santa Teresa, aconteceram desmoronamentos com mortes.
Em abril de 1924 fortes chuvas encheram novamente o Canal do Mangue e inundaram a Praça da Bandeira e vários bairros. Houve desabamento de barracos no Morro de São Carlos (berço da Escola de Samba Estácio de Sá). Fatos parecidos viriam a ocorrer também em 1940, 1942 e 1962.
Mas o temporal do dia 2 de janeiro de 1966 entraria tragicamente para a história. Fortes chuvas que duraram uma semana ocasionaram enchentes, deslizamentos no estado do Rio de Janeiro e no antigo Estado da Guanabara (denominação da cidade do Rio de Janeiro enquanto foi capital do Brasil) provocando o caos no transporte, “apagão” elétrico e o colapso do sistema de emergência. O que com certeza contribuiu para a morte de 250 pessoas e para deixar mais de 50 mil desabrigados.
Mesmo com esse aviso catastrófico os anos de 1967 (quando mais de 500 pessoas morreram em diferentes temporais e 25 mil ficaram feridos) 1982 (06 mortos), 1983 (18 mortos), 1987 (292 mortos e 20 mil desabrigados, o que provocou primeiro a decretação do Estado de Emergência e depois do Estado de Calamidade Pública), 1988 (mais de 600 mortos e quase 20 mil desabrigados, principalmente na capital, na Baixada Fluminense e na região Serrana), 1991 (25 mortos), 1999 (41 mortos). E de lá pra cá, em pleno século XXI, as coisas não mudaram, aliás, pelas tragédias que estamos acompanhando agora, pioraram.
Como vimos, chuvas fortes de verão são regras e não exceção no Rio de Janeiro, pois praticamente todo o período que pega de setembro/outubro do ano anterior até março/abril do outro ano (início da primavera e final do verão) vem há séculos sendo marcado por fatos e tragédias similares que chocam a opinião pública, ganham apenas declarações demagógicas dos governantes e vitimam os trabalhadores.
 
Para piorar a informação de que é anormal este tipo de evento para o inverno carioca…
 
04/04/1756 – Um grande temporal, precedido por ventos fortes, atingiu o Rio de Janeiro a partir das 13 horas do dia quatro de abril de 1756. Foram três dias consecutivos de fortes chuvas, que provocaram inundações em toda cidade e desabamentos de casas, fazendo inúmeras vítimas. No dia seis de abril, canoas navegavam do Valongo até a Sé.
 
03/04/1924 –  Inundações, fortes chuvas provocaram o transbordamento do Canal do Mangue, inundação em vários bairros, além da Praça da Bandeira, e desabamentos de barracos, com vítimas, no Morro de São Carlos.
 
Abril de 2010 também tivemos extremos no Rio de Janeiro. 
 
E para o mês de junho já tivemos também um evento extremo em 2006. O maior volume registrado em uma estação pluviométrica no mês de junho, em um único dia, havia sido em 2006, na Barra/Riocentro, com 154, 2 mm. Ou seja, alguma novidade Laura Ferreira?


Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/estacao-do-alto-da-boa-vista-bate-recorde-de-chuva-dos-ultimos-20-anos-21501493#ixzz4keJYWcS6

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